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21-09-2026
Vitamina D em Portugal: será que precisamos mesmo de suplementação?
A vitamina D é frequentemente associada ao sol, aos ossos e à prevenção da osteoporose. Mas, apesar de Portugal ser um país com muitas horas de luz solar, o défice de vitamina D é relativamente frequente na população portuguesa. Por isso, a questão não é apenas saber se temos sol suficiente, mas perceber se estamos, de facto, a produzir ou a obter vitamina D em quantidade adequada. [1,2]
Quando os níveis de vitamina D são insuficientes, a absorção intestinal de cálcio diminui. Como consequência, podem ocorrer alterações no metabolismo mineral e, a longo prazo, perda de massa óssea e aumento do risco de fraturas, particularmente em pessoas mais velhas. A relação entre níveis de vitamina D e saúde óssea está bem documentada, incluindo a associação entre níveis baixos de vitamina D, menor densidade mineral óssea e maior risco de fratura. [1,2]
A principal forma de avaliar o estado de vitamina D é através da concentração sanguínea de 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D. Contudo, a interpretação dos valores não é totalmente simples: os níveis podem variar com a estação do ano, exposição solar, idade, pigmentação da pele, peso corporal, atividade física, alimentação, suplementação e fatores genéticos. [1]
Estima-se frequentemente que Portugal tenha cerca de 300 dias de sol por ano. No entanto, isso não significa que a população tenha exposição solar suficiente para produzir vitamina D durante todo o ano. [2]
A produção de vitamina D pela pele depende de vários fatores. A idade é particularmente importante: com o envelhecimento, a capacidade da pele para produzir vitamina D pode diminuir significativamente. Em Portugal, foram também identificados outros fatores associados a maior risco de défice, como obesidade, tabagismo, sexo feminino, determinados polimorfismos genéticos e a pigmentação da pele. [2]
A pigmentação mais escura é um fator que pode influenciar a produção de vitamina D. A melanina, responsável pela cor da pele, funciona como um filtro natural da radiação ultravioleta B (UVB), necessária para a síntese cutânea de vitamina D. Assim, pessoas com pele naturalmente mais escura podem necessitar de uma exposição solar mais prolongada para produzir uma quantidade semelhante de vitamina D à de pessoas com pele mais clara, nas mesmas condições de exposição. Isto não significa, contudo, que a pele escura determine necessariamente um défice de vitamina D: o estado de vitamina D depende de outros fatores. [1]
A exposição solar não é, contudo, o único fator que pode explicar as diferenças nos níveis de vitamina D entre populações. Fatores genéticos relacionados com o metabolismo da vitamina D também podem desempenhar um papel. O estudo VITACOV investigou precisamente a relação entre determinadas variantes genéticas relacionadas com a vitamina D e os níveis de vitamina D na população portuguesa. [3]
Além disso, muitas pessoas passam grande parte do dia em espaços interiores, trabalham em escritórios, fazem trabalho noturno ou evitam deliberadamente a exposição solar. Pessoas institucionalizadas, com mobilidade reduzida ou determinadas doenças crónicas também podem estar particularmente vulneráveis. [1,2]
Pertencer a um destes grupos não significa necessariamente ter défice de vitamina D. São fatores que aumentam a probabilidade de níveis inadequados e que podem justificar uma avaliação individualizada, de acordo com o contexto clínico. [1,2]
É importante, contudo, não interpretar esta informação como um incentivo à exposição solar excessiva. A exposição solar deve ser moderada e compatível com as medidas de proteção da pele, de forma a evitar tumores cutâneos. A alimentação também pode contribuir, nomeadamente através de alimentos como ovos e peixe gordo, incluindo sardinha e salmão. [2]
As recomendações portuguesas indicam que a determinação da 25(OH)D deve ser considerada, de forma fundamentada, em pessoas com fatores de risco documentados. A Norma da Direção-Geral da Saúde não recomenda a determinação da 25(OH)D como rastreio oportunístico e recomenda que a avaliação seja fundamentada no contexto clínico. [2]
Por outro lado, as recomendações internacionais mais recentes não defendem a realização sistemática da análise de 25(OH)D em adultos saudáveis sem indicações clínicas específicas.
Também não recomendam, de forma geral, doses de suplementação superiores às necessidades nutricionais recomendadas apenas com o objetivo de “prevenir” doenças. [4]
Ou seja: suplementar vitamina D pode ser muito importante quando existe indicação, mas mais vitamina D não significa necessariamente mais saúde.
Outro aspeto relevante é a regularidade. Nas pessoas que necessitam de tratamento ou suplementação, as recomendações mais recentes favorecem, em adultos com 50 ou mais anos, doses diárias mais baixas em vez de doses muito elevadas administradas de forma espaçada. Esta abordagem permite um aporte mais regular de vitamina D e evita recorrer a doses elevadas que não demonstraram trazer benefícios adicionais. [4]
A dose adequada, contudo, depende do contexto. Não é aconselhável transformar uma dose utilizada num determinado estudo numa recomendação universal para toda a população.
A vitamina K também ajuda o organismo a gerir o cálcio. De forma simples, a vitamina D ajuda a absorver o cálcio dos alimentos, enquanto a vitamina K participa na utilização e regulação desse cálcio, nomeadamente através de proteínas importantes para o tecido ósseo e para os vasos sanguíneos. É esta ação complementar que despertou o interesse dos investigadores na combinação das duas vitaminas. [5,6]
Uma revisão recente também identificou resultados promissores para a combinação D + K, incluindo efeitos sobre a densidade mineral óssea e determinados marcadores relacionados com a função da vitamina K. Porém, os autores salientam que ainda não existem recomendações formais universalmente estabelecidas para a suplementação conjunta. [5]
A associação entre vitamina D e vitamina K é, por isso, promissora, mas ainda são necessários estudos maiores e mais robustos para confirmar os seus benefícios. [5,6]
É importante distinguir entre uma relação biológica plausível e uma recomendação clínica. O facto de as duas vitaminas terem funções complementares no metabolismo do cálcio não significa que todas as pessoas que tomam vitamina D tenham necessariamente de tomar vitamina K.
A vitamina K1 encontra-se sobretudo em vegetais de folha verde, enquanto algumas formas de vitamina K2 estão presentes em alimentos fermentados e determinados produtos lácteos fermentados. [5]
Uma alimentação variada pode, portanto, contribuir para assegurar uma ingestão adequada de vitamina K, ao mesmo tempo que fornece outros nutrientes importantes para a saúde óssea.
Da mesma forma, ovos e peixes gordos podem contribuir para a ingestão de vitamina D. [2]
O suplemento não deve substituir uma alimentação equilibrada, atividade física adequada, exposição solar responsável ou outras medidas de prevenção da perda de massa óssea.
A vitamina D é lipossolúvel e pode acumular-se. Doses excessivas, sobretudo quando utilizadas durante períodos prolongados sem indicação clínica, podem provocar alterações do metabolismo do cálcio e outros efeitos adversos. [1,2,4]
Por isso, aumentar a dose por iniciativa própria não é uma estratégia recomendável.
A vitamina K merece também atenção especial em pessoas que utilizam anticoagulantes antagonistas da vitamina K, como a varfarina. Nestes casos, alterações significativas na ingestão ou suplementação de vitamina K podem interferir com o tratamento e devem ser discutidas com o médico. [5,6]
Quando existe indicação para suplementação, a vitamina D3 é uma opção habitual e, em adultos mais velhos que necessitam de suplementação, as recomendações atuais favorecem estratégias diárias com doses mais baixas em vez de grandes doses intermitentes. [1,4]
A vitamina K acrescenta uma dimensão interessante: participa na regulação do cálcio e parece funcionar de forma complementar à vitamina D. Há sinais promissores de que a combinação poderá ser relevante para a saúde óssea, mas ainda não há evidência suficiente para recomendar a associação de vitamina D e K indiscriminadamente a toda a população. [5,6]
A melhor abordagem é, por isso, individualizada: identificar quem apresenta maior risco de défice, corrigir eventuais carências e escolher a dose adequada para cada pessoa. Mais suplementos ou doses mais elevadas não significam necessariamente mais benefícios.
Em saúde, o objetivo não deve ser tomar o máximo de nutrientes possível, mas garantir que o organismo dispõe da quantidade adequada, no momento certo e para a pessoa certa.
2. Direção-Geral da Saúde. Norma nº 004/2019 de 14/08/2019: Prevenção e Tratamento da Deficiência de Vitamina D. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2019.
3. VITACOV: Vitamin D-related Polymorphisms and Vitamin D Levels as Risk Biomarkers of COVID-19 Infection Severity. ClinicalTrials.gov identifier: NCT04370808. University of Lisbon.
4. Demay MB, Pittas AG, Bikle DD, Diab DL, Kiely ME, Lazaretti-Castro M, et al. Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2024;109(8):1907-1947. doi:10.1210/clinem/dgae290.
5. Aaseth JO, Finnes TE, Askim M, Alexander J. The Importance of Vitamin K and the Combination of Vitamins K and D for Calcium Metabolism and Bone Health: A Review. Nutrients. 2024;16(15):2420. doi:10.3390/nu16152420.
6. van Ballegooijen AJ, Pilz S, Tomaschitz A, Grübler MR, Verheyen N. The Synergistic Interplay between Vitamins D and K for Bone and Cardiovascular Health: A Narrative Review. Int J Endocrinol. 2017;2017:7454376. doi:10.1155/2017/7454376.
7. Khandelwal A, Ahmed KA, Dikshit P. Vitamin D and Vitamin K: Synergistic Roles and Emerging Evidence for Combined Supplementation. J Midlife Health. 2025;16(4):505-508. doi:10.4103/jmh.jmh_169_25.
Vitamina D: muito mais do que uma “vitamina do sol”
A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel essencial ao organismo, com um papel fundamental na regulação do cálcio e do fósforo, dois minerais indispensáveis à formação e manutenção do tecido ósseo. No intestino, a vitamina D aumenta a absorção de cálcio e fósforo e, no osso, contribui para a sua mineralização. [1,2]Quando os níveis de vitamina D são insuficientes, a absorção intestinal de cálcio diminui. Como consequência, podem ocorrer alterações no metabolismo mineral e, a longo prazo, perda de massa óssea e aumento do risco de fraturas, particularmente em pessoas mais velhas. A relação entre níveis de vitamina D e saúde óssea está bem documentada, incluindo a associação entre níveis baixos de vitamina D, menor densidade mineral óssea e maior risco de fratura. [1,2]
A principal forma de avaliar o estado de vitamina D é através da concentração sanguínea de 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D. Contudo, a interpretação dos valores não é totalmente simples: os níveis podem variar com a estação do ano, exposição solar, idade, pigmentação da pele, peso corporal, atividade física, alimentação, suplementação e fatores genéticos. [1]
Mas Portugal não tem sol?
Tem. E muito.Estima-se frequentemente que Portugal tenha cerca de 300 dias de sol por ano. No entanto, isso não significa que a população tenha exposição solar suficiente para produzir vitamina D durante todo o ano. [2]
A produção de vitamina D pela pele depende de vários fatores. A idade é particularmente importante: com o envelhecimento, a capacidade da pele para produzir vitamina D pode diminuir significativamente. Em Portugal, foram também identificados outros fatores associados a maior risco de défice, como obesidade, tabagismo, sexo feminino, determinados polimorfismos genéticos e a pigmentação da pele. [2]
A pigmentação mais escura é um fator que pode influenciar a produção de vitamina D. A melanina, responsável pela cor da pele, funciona como um filtro natural da radiação ultravioleta B (UVB), necessária para a síntese cutânea de vitamina D. Assim, pessoas com pele naturalmente mais escura podem necessitar de uma exposição solar mais prolongada para produzir uma quantidade semelhante de vitamina D à de pessoas com pele mais clara, nas mesmas condições de exposição. Isto não significa, contudo, que a pele escura determine necessariamente um défice de vitamina D: o estado de vitamina D depende de outros fatores. [1]
A exposição solar não é, contudo, o único fator que pode explicar as diferenças nos níveis de vitamina D entre populações. Fatores genéticos relacionados com o metabolismo da vitamina D também podem desempenhar um papel. O estudo VITACOV investigou precisamente a relação entre determinadas variantes genéticas relacionadas com a vitamina D e os níveis de vitamina D na população portuguesa. [3]
Além disso, muitas pessoas passam grande parte do dia em espaços interiores, trabalham em escritórios, fazem trabalho noturno ou evitam deliberadamente a exposição solar. Pessoas institucionalizadas, com mobilidade reduzida ou determinadas doenças crónicas também podem estar particularmente vulneráveis. [1,2]
Quem tem maior risco de défice de vitamina D?
| Grupo com maior risco | Porquê? |
| Pessoas mais velhas | A capacidade da pele para produzir vitamina D diminui com a idade. |
| Pessoas com pouca exposição solar |
Menor exposição à radiação UVB significa menor produção de vitamina D na pele. |
| Pessoas institucionalizadas ou com mobilidade reduzida |
Tendem a passar menos tempo ao ar livre e a ter menor exposição solar. |
| Trabalhadores com pouca exposição solar |
Trabalhadores de escritório, fábricas, armazéns, taxistas e trabalhadores por turnos podem passar grande parte do dia sem exposição solar. |
| Pessoas com pele naturalmente escura |
A maior quantidade de melanina reduz a eficiência da síntese cutânea de vitamina D perante a mesma exposição à radiação UVB. |
| Pessoas com obesidade | A obesidade, particularmente quando existe maior perímetro abdominal, está associada a maior risco de níveis baixos de vitamina D. |
| Pessoas com determinadas doenças | Doença renal crónica, doenças hepáticas, alterações da paratiroide e síndromes de má absorção intestinal podem aumentar o risco de défice. |
| Pessoas submetidas a cirurgia bariátrica |
Podem apresentar alterações na absorção de vitamina D e de outros nutrientes. |
| Pessoas que tomam determinados medicamentos |
Alguns medicamentos podem aumentar a degradação da vitamina D e contribuir para a redução dos seus níveis. |
| Bebés de mães com défice de vitamina D | Os bebés dependem inicialmente das reservas maternas e o leite materno contém pouca vitamina D. |
É importante, contudo, não interpretar esta informação como um incentivo à exposição solar excessiva. A exposição solar deve ser moderada e compatível com as medidas de proteção da pele, de forma a evitar tumores cutâneos. A alimentação também pode contribuir, nomeadamente através de alimentos como ovos e peixe gordo, incluindo sardinha e salmão. [2]
Quem tem maior probabilidade de precisar de suplementação?
Não existe uma resposta igual para toda a população.As recomendações portuguesas indicam que a determinação da 25(OH)D deve ser considerada, de forma fundamentada, em pessoas com fatores de risco documentados. A Norma da Direção-Geral da Saúde não recomenda a determinação da 25(OH)D como rastreio oportunístico e recomenda que a avaliação seja fundamentada no contexto clínico. [2]
Por outro lado, as recomendações internacionais mais recentes não defendem a realização sistemática da análise de 25(OH)D em adultos saudáveis sem indicações clínicas específicas.
Também não recomendam, de forma geral, doses de suplementação superiores às necessidades nutricionais recomendadas apenas com o objetivo de “prevenir” doenças. [4]
Ou seja: suplementar vitamina D pode ser muito importante quando existe indicação, mas mais vitamina D não significa necessariamente mais saúde.
D3: a forma mais utilizada
Quando a suplementação está indicada, a forma oral de vitamina D3 (colecalciferol) é geralmente a preferida. Outras formas, como calcifediol ou calcitriol, têm utilizações específicas e devem ser reservadas para determinadas situações clínicas. [1,2]Outro aspeto relevante é a regularidade. Nas pessoas que necessitam de tratamento ou suplementação, as recomendações mais recentes favorecem, em adultos com 50 ou mais anos, doses diárias mais baixas em vez de doses muito elevadas administradas de forma espaçada. Esta abordagem permite um aporte mais regular de vitamina D e evita recorrer a doses elevadas que não demonstraram trazer benefícios adicionais. [4]
A dose adequada, contudo, depende do contexto. Não é aconselhável transformar uma dose utilizada num determinado estudo numa recomendação universal para toda a população.
E onde entra a vitamina K?
É aqui que a história se torna particularmente interessante.A vitamina K também ajuda o organismo a gerir o cálcio. De forma simples, a vitamina D ajuda a absorver o cálcio dos alimentos, enquanto a vitamina K participa na utilização e regulação desse cálcio, nomeadamente através de proteínas importantes para o tecido ósseo e para os vasos sanguíneos. É esta ação complementar que despertou o interesse dos investigadores na combinação das duas vitaminas. [5,6]
Vitamina D + vitamina K: fará sentido associar as duas?
Existem estudos experimentais, observacionais e ensaios clínicos que sugerem que níveis adequados de ambas as vitaminas podem ser importantes para a saúde óssea. Alguns estudos encontraram benefícios na densidade mineral óssea quando vitamina D e K foram utilizadas em conjunto. [5,6]Uma revisão recente também identificou resultados promissores para a combinação D + K, incluindo efeitos sobre a densidade mineral óssea e determinados marcadores relacionados com a função da vitamina K. Porém, os autores salientam que ainda não existem recomendações formais universalmente estabelecidas para a suplementação conjunta. [5]
A associação entre vitamina D e vitamina K é, por isso, promissora, mas ainda são necessários estudos maiores e mais robustos para confirmar os seus benefícios. [5,6]
É importante distinguir entre uma relação biológica plausível e uma recomendação clínica. O facto de as duas vitaminas terem funções complementares no metabolismo do cálcio não significa que todas as pessoas que tomam vitamina D tenham necessariamente de tomar vitamina K.
A alimentação continua a ser fundamental
Antes de pensar em suplementos, é importante olhar para a alimentação.A vitamina K1 encontra-se sobretudo em vegetais de folha verde, enquanto algumas formas de vitamina K2 estão presentes em alimentos fermentados e determinados produtos lácteos fermentados. [5]
Uma alimentação variada pode, portanto, contribuir para assegurar uma ingestão adequada de vitamina K, ao mesmo tempo que fornece outros nutrientes importantes para a saúde óssea.
Da mesma forma, ovos e peixes gordos podem contribuir para a ingestão de vitamina D. [2]
O suplemento não deve substituir uma alimentação equilibrada, atividade física adequada, exposição solar responsável ou outras medidas de prevenção da perda de massa óssea.
E existem riscos?
Sim. “Vitamina” não significa automaticamente “inofensivo”.A vitamina D é lipossolúvel e pode acumular-se. Doses excessivas, sobretudo quando utilizadas durante períodos prolongados sem indicação clínica, podem provocar alterações do metabolismo do cálcio e outros efeitos adversos. [1,2,4]
Por isso, aumentar a dose por iniciativa própria não é uma estratégia recomendável.
A vitamina K merece também atenção especial em pessoas que utilizam anticoagulantes antagonistas da vitamina K, como a varfarina. Nestes casos, alterações significativas na ingestão ou suplementação de vitamina K podem interferir com o tratamento e devem ser discutidas com o médico. [5,6]
O que devemos retirar desta informação?
A vitamina D é essencial para o metabolismo do cálcio e para a saúde óssea. O défice é particularmente relevante em determinados grupos da população, e o facto de Portugal ter bastante sol não elimina o risco de insuficiência.Quando existe indicação para suplementação, a vitamina D3 é uma opção habitual e, em adultos mais velhos que necessitam de suplementação, as recomendações atuais favorecem estratégias diárias com doses mais baixas em vez de grandes doses intermitentes. [1,4]
A vitamina K acrescenta uma dimensão interessante: participa na regulação do cálcio e parece funcionar de forma complementar à vitamina D. Há sinais promissores de que a combinação poderá ser relevante para a saúde óssea, mas ainda não há evidência suficiente para recomendar a associação de vitamina D e K indiscriminadamente a toda a população. [5,6]
A melhor abordagem é, por isso, individualizada: identificar quem apresenta maior risco de défice, corrigir eventuais carências e escolher a dose adequada para cada pessoa. Mais suplementos ou doses mais elevadas não significam necessariamente mais benefícios.
Em saúde, o objetivo não deve ser tomar o máximo de nutrientes possível, mas garantir que o organismo dispõe da quantidade adequada, no momento certo e para a pessoa certa.
Referências
1. Giustina A, Bilezikian JP, Adler RA, Banfi G, Bikle DD, Binkley NC, et al. Consensus Statement on Vitamin D Status Assessment and Supplementation: Whys, Whens, and Hows. Endocr Rev. 2024;45(5):625-654. doi:10.1210/endrev/bnae009.2. Direção-Geral da Saúde. Norma nº 004/2019 de 14/08/2019: Prevenção e Tratamento da Deficiência de Vitamina D. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2019.
3. VITACOV: Vitamin D-related Polymorphisms and Vitamin D Levels as Risk Biomarkers of COVID-19 Infection Severity. ClinicalTrials.gov identifier: NCT04370808. University of Lisbon.
4. Demay MB, Pittas AG, Bikle DD, Diab DL, Kiely ME, Lazaretti-Castro M, et al. Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab. 2024;109(8):1907-1947. doi:10.1210/clinem/dgae290.
5. Aaseth JO, Finnes TE, Askim M, Alexander J. The Importance of Vitamin K and the Combination of Vitamins K and D for Calcium Metabolism and Bone Health: A Review. Nutrients. 2024;16(15):2420. doi:10.3390/nu16152420.
6. van Ballegooijen AJ, Pilz S, Tomaschitz A, Grübler MR, Verheyen N. The Synergistic Interplay between Vitamins D and K for Bone and Cardiovascular Health: A Narrative Review. Int J Endocrinol. 2017;2017:7454376. doi:10.1155/2017/7454376.
7. Khandelwal A, Ahmed KA, Dikshit P. Vitamin D and Vitamin K: Synergistic Roles and Emerging Evidence for Combined Supplementation. J Midlife Health. 2025;16(4):505-508. doi:10.4103/jmh.jmh_169_25.